Carreira

 

Você tem duas opções, agradecer pelo trabalho que tem ou fazer igual a mulher da imagem todos os dias e levar a sua vida com essa marca de insatisfação na testa, literalmente, se ficar por muito tempo com a cabeça encostada na mesa.

Hoje, quero contar um pouco da minha história profissional para vocês e como sou grato por ela.

Antes de virar minha carreira para o Coaching e desenvolvimento pessoal, eu era consultor de TI e já viajei bastante para fazer o meu trabalho. Nesse tempo eu percebi que independente do local onde eu estava as pessoas acabavam agindo da mesma maneira, reclamando.

As reclamações eram de todas as maneiras. Em capitais que passei como São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Recife, ou até mesmo no interior, pessoas são pessoas e é impressionante como elas arrumam jeito de reclamar da vida e, mais especificamente, do trabalho. Seja o trânsito, o chefe, a empresa, o salário, o software, o calor, o ar condicionado ou até mesmo ver os outros na praia durante o horário de almoço, não importa, sempre havia motivo para reclamar.

E eu? Eu já reclamei também, confesso! Porém, talvez por estar sempre viajando e conseguir enxergar as novidades que as pessoas já inseridas naquele meio não enxergavam, eu não conseguia entender muitas vezes o que causava tanta insatisfação.

Quando estive em Recife ouvi reclamações que as pessoas já amanheciam suando e chegavam no trabalho pingando, que já era muito quente logo de manhã (e eu trabalhei lá em Julho). O interessante é que eu saía de Guarulhos toda segunda de madrugada, com a temperatura entre 12 e 15 graus, e chegava lá naquele calorão úmido do Nordeste. Então eu podia reclamar do frio em São Paulo, do calor em Recife ou dos dois se quisesse. Não podia? Não, eu não podia!

Na verdade, eu até podia reclamar, mas não queria. Qual benefício eu teria se reclamasse? Eu trabalhava de segunda a sexta, saía da minha casa às 4h da manhã de segunda, chegava de viagem direto para empresa, saía 17h30, ficava em um flat na rua de trás da praia, precisava fazer a minhas compras da semana, comer e descansar da viagem. Então eu tinha terça, quarta e quinta-feira para passear tranquilo na praia e sair para aproveitar a noite da cidade, pois sexta às 15h30 eu estava indo para o aeroporto pegar o avião de volta para casa, onde chegava em torno de 20h.

Minha rotina era cansativa, assim como a sua é, assim como foi uma ainda mais cansativa quando eu trabalhava em Cruzeiro. Pegava o carro às 6h e rodava 135km até lá, trabalhava até as 17h e ia direto para a faculdade que iniciava às 19h e acabava às 22h35, só então chegava em casa e precisava fazer algo pessoal ou relacionado aos meus estudos.

Estou citando esses momentos da minha carreira onde eu tinha tudo para reclamar e na verdade eu era muito grato pelo emprego que tinha, mesmo estando fora de casa, mesmo não podendo fazer planos semanais como todos fazem, mesmo tendo o cansaço das viagens, mesmo enfrentando trânsito, calor, diferenças culturais, preconceitos e etc.

Meus agradecimentos são:

  • Em Cruzeiro, eu agradeço todo aprendizado no início dos meus trabalhos como consultor.
  • Em Recife, agradeço por acordar todos os dias com o barulho do mar e ver sua beleza ao ir trabalhar.
  • Em Macaé, agradeço porque foi lá que dei meu “ponta-pé inicial” como empresário.
  • Em São Paulo, eu agradeço pelas oportunidades que a cidade me ofereceu, por conhecer meus antigos sócios, por mais recentemente eu ter permanecido um ano e três meses em um contrato que inicialmente era de dois meses.
  • Em Angra, eu agradeço por conhecer o colega que me indicou em São Paulo.
  • Em todos os lugares por onde passei, agradeço a recepção, o espaço dado pra efetuar meu trabalho, a confiança que conquistei e pude retribuir, os contatos que fiz e as amizades que deixei.

Então eu pergunto agora para você:

  • Pelo que você já agradeceu no seu trabalho hoje?
  • Em toda sua carreira, quais os momentos pelos quais você sente muita gratidão?
  • Quais as pessoas que merecem seu agradecimento na sua vida profissional?
  • Quais situações do seu dia a dia contribuem para seu crescimento profissional e pessoal?

Se eu fizesse todas as perguntas para você, trocando as palavras agradecimento e gratidão por reclamação, tenho certeza que teria as respostas na ponta da língua e ousaria dizer que hoje mesmo no cafezinho ou no almoço até falou sobre isso.

Estamos acostumados a reclamar e olhar o lado negativo das coisas, só não percebemos o quanto isso faz mal a nós mesmos.

Para finalizar, seguem duas perguntas para não perder o costume:

  1. Quais motivos você tem para agradecer o seu trabalho?
  2. Se não tem motivos, por que ainda está trabalhando aí?

 

Obrigado por ler até aqui. Bom trabalho!!