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Vida engajada ou vida boa:

utilização das suas forças pessoais para obter gratificação abundante nos principais setores da vida. – Martin Seligman

Quando olho para essa imagem, logo vem em minha mente a palavra inglesa engagement, que traduzida para o português brasileiro significa noivado.

 

O Casamento

 

Quando estamos namorando e escolhemos alguém para casar, nós não ficamos medindo defeitos e qualidade da pessoa, ou jogando pontos fortes e pontos fracos em um sistema ou em uma fórmula que nos trará um resultado positivo ou negativo sobre ser a pessoa certa para casar. Nós tomamos essa decisão com base nos pontos fortes, no caráter, nas virtudes daquela pessoa.

Ao mesmo tempo, quando decidimos nos casar, pensamos no que de melhor temos a oferecer para a pessoa que está ao nosso lado e somos focados em fazer cada vez mais aquilo que podemos e sabemos que somos bons, sabendo também que a outra pessoa se agrada.

 

O Trabalho

 

Igualmente acontece quando ingressamos em um novo trabalho, quando conhecemos novos grupos de pessoas, quando participamos de um novo projeto ou atividade, nós queremos mostrar nossos pontos fortes e nos engajamos com aquela causa, ficando excitados com a situação e fazendo ótimos trabalhos.

A grande questão disso tudo é a continuidade desse engajamento inicial. Focando nas forças e nas virtudes que cada situação nos proporciona a chance de mostrar, somos felizes e empolgados, porém quando começamos a ver que precisamos por vezes fazer algo que não gostamos tanto, que precisamos abrir mão de algumas coisas e que aquelas situações tem muitos ponto que consideramos negativos, acabamos mudando nosso foco, que antes estavam nas coisas positivas, e nos esquecemos o motivo pelo qual estávamos e éramos felizes fazendo aquilo ou passando por aquela situação.

Isso acontece no nosso trabalho, no casamento e em qualquer outro exemplo que faz parte do dia a dia. Ainda assim, eu posso apostar com você que não acontece com TUDO que você faz, assim como não precisa também acontecer nesses situações que mencionei. Para entender isso, vamos falar do estado de flow.

 

Flow – Vida Engajada

 

Eu já dei uma breve introdução na postagem de vida prazerosa sobre esse estado de ser que também pode ser chamado de estado de gratificação.

Essas gratificações, se comparadas aos prazeres que fazem parte do primeiro pilar da felicidade autêntica descrita por Martin Seligman, são mais duradouras e caracterizadas por não causarem emoções positivas.

Helder Kamei, mestre brasileiro nos estudos sobre flow, demonstra em seu livro Flow e Psicologia Positiva como funciona esse estado através da dança. Em suas experiências, há relatos de pessoas que descrevem a atividade da dança como algo que não se pensa para fazer, que as coisas simplesmente acontecem, fluem.

Eu disse isso na postagem sobre vida prazerosa, mas quando eu pego para escrever um texto livre, onde não precise citar autores ou referências bibliográficas, meus textos fluem de uma forma que ao acabá-los, preciso ler novamente antes de entregar a vocês, visto que muitas vezes eu acabo lendo e pensando, será que fui eu mesmo que escrevi isso?

Isso também acontece quando estou jogando meu futebol, talvez não o tempo todo, mas quando eu pego a bola e tem uma adversário na minha frente, eu preciso sair da marcação, driblar e definir a jogada tocando ou chutando a gol. Ao fazer uma jogada bonita e alguém me perguntar como fiz isso, eu digo que não sei, as coisas simplesmente aconteceram. Fluíram.

Outro fator importante, pegando o exemplo do futebol, é que eu gosto ainda mais e sinto maior satisfação de jogar quando não tem muita facilidade, quando o jogo me oferece desafio o suficiente para que eu atinja esse estado de… “CAAARAAAACA, que jogo foi esse?”.

Através desses dois exemplos, talvez você já tenha identificado alguma atividade que você faça na qual o nível de desafio dessa atividade é tão grande quanto confronte suas habilidades ao ponto de você se entreter tanto que perde noção de tempo, espaço, consciência e até mesmo funções corporais básicas como fome e vontade de ir ao banheiro.

Isso, essa atividade que se encaixa nessa descrição, é o estado de flow.

 

Aplicação de Forças e Virtudes

 

No entanto, o grande desafio é ter mais momentos de flow durante o dia e conseguir aplicar suas forças e virtudes nas situações rotineiras, fazendo com que elas fiquem leves e experimentando a sensação de gratificação de forma constante, mas como podemos fazer isso?

Antes de mais nada, você deve identificar quais são as suas forças e virtudes, para isso o pai da Psicologia Positiva – ciência da felicidade -, Martin Seligman, possui um teste que está em seu site authentichappiness.org no qual você conseguirá identificar suas principais virtudes dentre às 6 estudadas e comuns em todas as culturas e suas principais forças de caráter de cada virtude, que são 24 conforme estrutura abaixo:

  1. Sabedoria
    1. Amor ao Aprendizado
    2. Criatividade
    3. Curiosidade
    4. Critério
    5. Perspectiva
  2. Coragem
    1. Perseverança
    2. Vitalidade
    3. Bravura
    4. Integridade
  3. Humanidade
    1. Amor
    2. Inteligência
    3. Generosidade
  4. Justiça
    1. Trabalho em Equipe
    2. Equidade
    3. Liderança
  5. Temperança
    1. Perdão
    2. Humildade
    3. Prudência
    4. Autocontrole
  6. Transcendência
    1. Apreciação da Beleza
    2. Gratidão
    3. Esperança
    4. Bom Humor
    5. Espiritualidade

Uma vez que descobriu quais são as suas principais virtudes e forças de caráter, basta você procurar aplicá-las no dia a dia ao invés de focar nas forças e virtudes que são menos naturais a você.

Isso responde a questão que citei no início do texto, do por que perdemos o interesse e o tesão inicial que temos nas coisas. Isso para uma atividade qualquer, um jogo de vídeo game, por exemplo, não é assim tão impactante. Você vai jogar enquanto se sentir em flow, uma vez que aquilo não te ofereça mais desafios você parte para outro jogo. Porém a vida não é bem assim e precisamos aprender a usar nossas virtudes naquilo que é importante para nós, evitando que precisemos partir para outro “jogo”, nesse caso, emprego, casamento, filhos, família e etc.

O foco nas virtudes vai nos ajudar a lidar com relacionamentos no geral, já que uma vez que entendamos as forças e virtudes do outro também, percebemos que suas atitudes são moldadas naquilo que é bom para ele, o que muitas vezes não significa que querem nos atingir ou nos prejudicar, só significa que estão agindo conforme acham correto e, na maioria das vezes, tem muita coisa positiva nisso.

Um bom exemplo disso é quando o seu cônjuge pede para que ajude com alguma coisa da casa. Talvez a virtude dele seja justiça e tenha como uma de suas grandes forças de caráter o trabalho em equipe e equidade, sendo assim, sentir que você não ajuda pode causar um dano muito grande ao relacionamento. Ao invés de xingar e não entender a pessoa que você mesmo escolheu para viver, se elogiasse o modo como ela é justa e propusesse outra atividade para equiparar essas ações, como por exemplo, eu faço compras e você cozinha, eu cuido do jardim e você cuida da parte interna, seu casamento tenderia a ser extremamente feliz e saudável.

Para não ficarmos apenas no âmbito dos relacionamentos, podemos também dar um exemplo do trabalho. Quando você entrou na empresa tinha vários desafios e tinha vontade de fazer tudo, hoje os desafios são menores e, portanto, os momentos de flow mais raros, então você precisa se concentrar no que pode fazer para continuar expressando suas forças e virtudes, seja com os colegas de trabalho, seja identificando nas suas atividades quais forças utiliza, seja achando uma forma diferente de fazer, enfim, o importante é que você encontre uma maneira de colocar em prática aquilo no que você é bom.

 

Comece agora…

 

Talvez esse texto seja um começo para que você se interesse por uma vida mais engajada, já que a maioria das pessoas passa uma boa parte cumprindo papéis na sociedade e ligando o piloto automático ao invés de realmente se dedicarem àquilo que estão fazendo. Não seja você um desses, engaje-se!

Agora que já sabemos como aumentar as emoções positivas nos momentos de prazer e como aumentarmos a nossa gratificação com a vida através de atividades de flow e utilização das forças e virtudes, para atingirmos uma vida realmente plena em felicidade falta apenas um pilar, que talvez você já tenha até se perguntado, o significado, propósito, disso tudo.

Se você tinha motivos para continuar infeliz, estou dando vários para que você passe a ser feliz e, mais que isso, para que cultive essa felicidade. Motivos, propósito, significados… continuaremos falando disso no próximo assunto: vida significativa.

 

Um abraço!!!