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Modelo PERMA:

  • Emoções Positivas (Positive Emotions)
  • Engajamento (Engagement)
  • Relacionamentos (Relationships)
  • Sentido (Meaning)
  • Realização (Accomplishment)

Como você poder ver, nesse modelo estão inclusos os três pilares da teoria de felicidade autêntica que foram abordados nas postagens anteriores aqui no blog, vida prazerosa (emoções positivas), vida engajada (engajamento) e vida significativa (sentido). Isso por que a Psicologia Positiva evoluiu da teoria da felicidade para a teoria do bem-estar, a qual inclui a felicidade no âmbito das emoções positivas.

Claro que houve todo um processo e muitos estudos para que isso acontecesse, levando cerca de 10 anos e chegando a três premissas básicas para cada elemento que incorpora o então chamado modelo PERMA, são eles:

  1. Cada elemento contribui para a formação do bem-estar;
  2. Muitas pessoas buscam cada elemento por ele próprio, não apenas para obter algum dos outros;
  3. Cada elemento é definido e mensurado independentemente dos outros (exclusividade).

Durante o texto você vai entender melhor do que se tratam esses elementos e como eles se encaixam nessas premissas. Por agora, vamos começar entendendo a diferença entre a teoria da felicidade autêntica para a do bem-estar.

 

Dos três pilares da felicidade ao modelo PERMA

Eu vou entrar em detalhes sobre essas duas teorias nas próximas postagens, quando falarei dos livros Felicidade Autêntica e Florescer, pois como disse, há muitos estudos e quase 10 anos entre esses dois livros e uma considerável evolução da Psicologia Positiva. Então, vamos focar apenas no suficiente para entender a construção do modelo PERMA e como aplicá-lo no dia a dia.

O que precisa ficar claro nesse momento é que uma teoria contém a outra, ou seja, os três pilares da felicidade estão contemplados no modelo PERMA.

Para justificar essa mudança de nomenclatura e adição de mais dois elementos, Martin Seligman usa três pontos principais, são eles:

  • Conotação popular de felicidade. Esta está muito mais para emoções positivas do que aquilo que o autor tentou abordar como estudo da Psicologia Positiva.
  • Exacerbação da satisfação com a vida na mensuração de felicidade. Satisfação era medida em 70% considerando o estado de ânimo atual da pessoa, ou seja, o humor, muito variável.

A satisfação com a vida avalia essencialmente o bom humor, então não lhe cabe um lugar central em nenhuma teoria que pretenda ser mais do que uma alegrologia. – Martin Seligman

  • Existem mais elementos que as pessoas escolhem pelos elementos em si, sem outra finalidade. Estava se referindo ao seguintes: relacionamentos e realização.

Dessa forma, e através de muitos outros estudos comprovatórios, ficou entendido que o que as pessoas julgavam como felicidade necessariamente mensurava o nível de bem-estar que eles viviam, ou o nível de satisfação com a vida no sentido mais aprofundado e holístico, por isso, a palavra bem-estar surgiu como algo mais amplo e menos superficial.

Vamos então entender do que se trata cada um dos elementos do modelo PERMA?

 

Emoções Positivas (Positive Emotions)

Vida prazerosa ou vida agradável. O primeiro pilar mencionado na teoria da felicidade e também o primeiro elemento na teoria do bem estar.

Emoções positivas tratam-se de sentimentos que acontecem agora acerca de presente, passado e futuro:

  • Presente: euforia, excitação, alegria e prazeres (físicos ou não);
  • Passado: satisfação, contentamento, orgulho e perdão;
  • Futuro: otimismo, esperança e confiança.

Nessa nova teoria, é aqui que entra a felicidade e a satisfação com a vida, que foram mencionadas primeiramente como base da Psicologia Positiva e agora são elementos (ou subelementos) do bem-estar inclusos nas emoções positivas. Isso por que esses fatores são muito subjetivos e não se encaixam em uma avaliação independente de outros elementos.

Para ficar um pouco mais claro, segue exemplo de como as emoções positivas se encaixam como elementos do bem-estar:

  1. Sentir prazeres e emoções positivas contribuem para nosso bem-estar;
  2. Nós buscamos nos alegrar apenas para darmos risadas, nós buscamos sentir prazer apenas para sentir prazer;
  3. É possível que avaliemos nossa alegria independente de qualquer outra coisa.

 

Engajamento (Engagement)

Esse também se manteve da primeira teoria, na qual era chamado de vida boa ou vida engajada. Trata-se de aplicar suas maiores virtudes e forças de caráter em suas principais atividades.

Aqui também falamos sobre experimentar mais vezes os estados de flow – estado no qual ficamos isentos de emoções positivas, utilizando nossas principais forças diante de desafios adequados, ao ponto de esquecermos do tempo e até mesmo de funções básicas como comer e ir ao banheiro.

Nesse tipo de atividade nós só conseguimos dizer o que estávamos sentindo em perspectiva, pois no momento perdemos a consciência. Muitas vezes até nos faltam palavras para descrever esses momentos.

Então, uma grande diferença do prazer para o engajamento é o tempo no qual o sentimento ocorre, sendo respectivamente um sempre no agora, enquanto o outro é retrospectivo.

Lembrando das três premissas citadas, seguem exemplos de como o engajamento se encaixa no PERMA para atingir o bem-estar:

  1. Se engajar e entrar em estado de flow contribuem para nosso bem-estar;
  2. Nos engajarmos em alguma atividade através de nossas forças e virtudes se basta, não precisamos de justificativa para fazê-lo;
  3. O engajamento pode ser medido, ainda que de forma subjetiva, através de perguntas e autoavaliação.

 

Sentido (Meaning)

Resolvi trazer o quarto elemento antes do terceiro, pois ele também já foi citado anteriormente como vida significativa. Trata-se de usar as suas virtudes e forças de caráter por um bem maior, por algo além de você mesmo. Dar sentido às suas ações.

É fácil perceber como nós conseguimos agir apenas por prazer (emoções positivas) ou apenas para superar um desafio (engajamento). Porém, não é assim tão fácil achar uma situação onde agimos apenas pelo sentido, sem interferir nos outros elementos. Para entender melhor essa caracterização, vou citar um exemplo que aconteceu comigo.

Eu tive um empresa com mais três sócios da qual acabei saindo por não me ver mais naquela sociedade. Acabou o sentido daquilo para mim. Eu poderia ficar por conta do prazer de conquistar clientes e ganhar dinheiro. Poderia me engajar em atividades na quais eu atuava de forma muito boa e me desafiavam o suficiente. Eu realizaria muitas coisas ali e ainda supria minha necessidade de relacionamento com clientes e sócios. Apesar de tudo isso, resolvi sair por aquilo não fazer mais sentido para mim e ir contra minhas virtudes, me sentindo extremamente bem com a minha decisão.

Conforme o exemplo citado, então, dar sentido para aquilo que se faz, um sentido maior do que você mesmo e suas necessidades, se encaixa na teoria do bem-estar nos três pontos:

  1. Usar suas virtudes por um sentido maior contribui para o bem-estar.
  2. Agir em prol de um significado, um sentido, valores, se basta.
  3. O sentido das coisas pode ser avaliado por você independentemente dos outros elementos.

 

Relacionamentos Positivos (Relationships)

Esse é um elemento novo na teoria do bem-estar.

Para mim, como os relacionamentos se encaixam nos primeiro e terceiro pontos da teoria do bem-estar está bem claro. Basta pensar nos melhores momentos de sua vida, você estava sozinho ou acompanhado? Como você avaliaria a qualidade dos seus relacionamentos? Quantas pessoas você pode considerar que são seus amigos? Conseguimos avaliar nossos relacionamentos em qualidade e quantidade e é muito claro que relacionamentos positivos contribuem para o bem-estar. O que não fica tão claro, é se os relacionamentos se bastam.

Durante o próprio livro onde Martin Seligman apresenta sua teoria, não existe uma comprovação sobre essas questões, mesmo assim é mencionado sobre a necessidade de sermos sociais e como os seres vivos que vivem em grupos são superiores sobre todos os outros. As abelhas, formigas, lobos, pássaros e peixes são ótimos exemplos disso. Porém, esse pensamento ainda dá abertura para interpretações contrárias.

Pensando em minha própria vida, encontrei em algumas situações do dia a dia nas quais continuar me relacionando com alguém não fazia assim tanto sentido, também não trazia emoções positivas, não me faria sentir realizado e muito menos me dava engajamento, mas eu me relacionava, pelo simples fato de me relacionar.

O primeiro exemplo é sobre relacionamentos afetivos, quando temos aquela necessidade que a outra pessoa apenas esteja ali. Ela pode estar vendo TV e você lendo livro, não importa, o importante é estar ali. Nas 5 linguagens do amor isso é classificado como tempo de qualidade.

Outro exemplo é quando queremos fazer algo, mas precisamos fazer isso acompanhados sem ao menos ter um motivo para aquilo. Por exemplo, malhar, ir ao cinema, fazer uma caminhada, comer fora, etc.

Com esses exemplos, à mim fica claro que os relacionamentos se encaixam perfeitamente nas três características do modelo PERMA.

 

Realização (Accomplishment)

Esse também foi adicionado já na teoria do bem-estar e, na minha visão, é perfeito para fechar aquilo que não explicamos.

Muitas pessoas utilizam a frase “o importante é o caminho, não o destino”, a qual foi citada no livro/filme poder além da vida. Isso é perfeitamente aplicável quando estamos falando de significado, engajamento. Existem coisas que fazemos pelo prazer de fazer, no espírito de “o importante é competir”. Porém, por outro lado, existem coisas que fazemos apenas para realizar, para ganhar, para conquistar! Sem sequer um sentido ou engajamento.

Um exemplo muito bom é sobre alguns jogos. Sabe a febre do Candy Crush? Não sei se ela te pegou, mas pegou à mim. Caso não seja a sua realidade, troque por algum jogo que você ficou “viciado”. Eu chegava em algumas fases daquele jogo que pareciam impossíveis de passar, então eu soltava uma frase que já repeti algumas vezes: que raiva dessa fase! Mas eu continuava jogando até passar.

Vamos analisar, nesse momento eu não sentia prazer mais em jogar aquela fase, ela estava mais me irritando do que outra coisa. Eu também não estava mais engajado naquilo, pois me sentia um verdadeiro incompetente não conseguindo passar. Eu não via um sentido maior do que o de ganhar daquele celular idiota. E, obviamente, não estava me relacionando com alguém ao fazer aquilo. Minha única motivação era ganhar, e quando eu ganhava, até comemorava e xingava aquele jogo como se fosse uma pessoa, mas me sentia ótimo!

Então, resumindo:

  1. Realizar alguma coisa traz bem-estar.
  2. A realização se basta por si só.
  3. Você pode avaliar suas realizações independente dos outros elementos.

Teoria do Bem-Estar

Então, em resumo, esses cinco elementos formam o modelo PERMA e devem ser praticados para que atinjamos o bem-estar… ou florescer, como Martin Seligman intitula seu livro.

Para cada um desses elementos, temos práticas que nos auxiliam a potencializamos e tirarmos o máximo de proveito. Vale a pena se inteirar sobre isso nas minhas postagens anteriores sobre os três pilares da felicidade autêntica. De qualquer forma, essa é uma receita básica para que você viva um estado de bem-estar e felicidade acimas da média.

 

Espero que tenha ficado claro e consiga aplicar o modelo PERMA na sua vida, lembrando que não precisamos aplicar apenas isso e o tempo todo, por vezes ficaremos tristes, com raiva, chateados, angustiados e isso é tão necessário quando as próprias emoções positivas. Ainda assim, quando for viver o lado bom da vida, o lado positivo, viva de forma plena.

 

Seja feliz!

 

Um abraço!