Felicidade e Bem estar

Casamento é um negócio complicado! Não se pode negar que cada vez mais hoje em dia as pessoas estão com dificuldades para viverem isso. É triste pensar que antigamente as pessoas nem escolhiam seus maridos e esposas e os casamentos duravam. O que acontece hoje em dia?

Penso nos meus avós, por exemplo, que tiveram um casamento arranjado e estão lá, firmes, fortes e felizes. Não dá uma vergoinha pensar que hoje, apesar de podermos escolher, não fazemos valer a pena?

Volto a perguntar, o que aconteceu nesse meio tempo que não conseguimos mais acertar essa conta?

(…) mas, no princípio da criação, Deus os fez homem e mulher. Por isso, deixará o homem pai e mãe e se unirá à sua mulher; e os dois não serão senão uma só carne. Assim, já não são dois, mas uma só carne. Não separe, pois, o homem o que Deus uniu – Marcos 10:6-9

Ah, esse versículo só pode estar de brincadeira: UMA SÓ CARNE? Para com isso!

Talvez a conta do casamento não seja assim tão simples como 1 + 1 = 2, pois duas unidades podem se separar, mas seria possível que dois, unidos em matrimônio, também possam?

O objetivo desse texto de longe não é julgar quem se separa, pois acredito que isso seja totalmente plausível. Aliás, eu mesmo sou filho de pais separados; porém, gostaria sim de questionar se estamos fazendo essa conta da maneira correta.

 

Matemática do casamento

Um ser é originado por um casal, normalmente oriundo de um casamento. Esse ser tem suas experiências, cresce, se desenvolve e conhece outro ser. Os dois então trocam experiências, verificam suas compatibilidades, desavenças e um dia resolvem: vamos casar.

Nesse momento eu pergunto, será que eles já tomaram consciência do que essa soma vai gerar?

Por exemplo, se tenho um pão de queijo e ganho outro pão de queijo, tenho dois pães de queijo, logo, nessa conta 1 + 1 = 2. Porém, se eu tenho um pão de queijo e um café preto, eu tenho um café da manhã, então 1 + 1 = 1. E se eu tenho um pão de queijo e um doce de leite, eu posso escolher comer o pão de queijo sozinho, o doce de leite sozinho ou juntar os dois, então 1 + 1 = 3.

Confuso?

Transformando isso para pessoas, se tenho dois seres fora de um contexto geral, onde 1 + 1 = 2, eu consigo facilmente separar isso também e entender que preciso apenas de um deles no dia em que me cansar de ter dois. Porém, se eu entendo que dois seres, diferentes em sua concepção, forem um algo maior, formam um todo que separados não seria possível, entendo o verdadeiro sentido do casamento.

A verdade é que a individualidade está tão desejada hoje em dia que o terceiro caso me parece mais comum. As pessoas estão buscando tanto a si que acabam se bastando em suas próprias qualidades, caindo no “tanto faz” se estou junto ou separado, continuo sendo bom da mesma forma.

Pensando assim, arrisco dizer que a matemática do casamento ou qualquer relacionamento é para formar um todo, um terceiro ser.

 

Uma só carne, um só corpo

Talvez agora os termos utilizados no versículo façam um pouco mais de sentido. Ou talvez você ainda se questione sobre isso e está tudo bem, afinal você é um inteiro, como formaria outro, né?

Uma só carne é um termo bem forte para mim, entendo isso como sentir o que o outro sente. Talvez pensando dessa forma fique bem mais fácil entender, é uma questão de empatia!

Casamento então talvez seja uma empatia tão forte ao ponto de realmente sentirmos o que o outro sente, como se beliscasse em um e doesse no outro.

O termo um só corpo me dá ainda outra visão, aquela do todo que comentei quando dei exemplo do café da manhã. Talvez um seja o braço e perna esquerdos, enquanto o outro os direitos e ambos precisam se sincronizar para o corpo continuar andando. Ou talvez ainda um seja as pernas e o outro os braços e eles precisam entrar em um acordo do que querem para conseguirem alcançar. Mais uma vez, ambos estão fazendo parte de um todo.

Não é demais? 

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E minha liberdade, como faz?

Calma, se você está se coçando na cadeira enquanto lê e me xingando, vamos falar sobre a sua liberdade!

Todos temos e devemos ter as nossas liberdades. Precisamos ser completos em nossas personalidades, em nossa consciência para que entendamos que queremos fazer parte daquele todo que escolhermos.

Imagine que você é um órgão que está sendo transplantado para outro corpo. O seu corpo aceita você do jeito que você é, mas será que o outro vai rejeitar? É exatamente isso que é a nossa liberdade. Se você não souber seu tipo sanguíneo, suas características, seu histórico e entender perfeitamente em que tipo de corpo você se encaixa, o transplante será um fracasso. Nesse caso, o transplante não precisa ser o casamento, mas é isso que muitas pessoas fazem e aí sentem que sua liberdade foi perdida.

Todos temos as nossas liberdades até a liberdade do outro e fazemos parte de vários todos durante a vida. O primeiro todo é a família, onde temos liberdades até que não ferimos dos nossos pais e irmãos. O segunda todo é a escola, depois grupos de amigos, trabalho e assim por diante. O casamento é mais um todo, onde você e outra pessoa se tornam um, que deve existir também alguns limites para funcionar, mas esses limites devem ser suficientes para que você seja quem você é e tenha liberdade para desempenhar 100% da sua função no todo.

 

Resumindo

Não tem regras, nunca teve e nunca vai ter. Mas talvez precisemos parar de querer ser um só e se bastar por si só.

Entender de uma vez por todas que ninguém se basta sozinho e todos precisamos nos relacionar, talvez seja o grande segredo.

Entender que o café da manhã completo precisa de frutas e cereais, talvez seja um dos segredos. Entender que até mesmo quando tudo parece estar certo ainda acontecem rejeições em transplantes de órgãos, talvez seja outro segredo.

Lembre-se que um mais um nem sempre será igual a dois, mas isso depende de você entender se está sendo uma unidade ou parte de um todo.

Um grande abraço!